Esperamos que gostem do nosso blog, pois, e acho q não falo só de mim, os textos são escritos com bastante emoção
e tem muito te nós em cada frase do que vocês lerão. ;D
Boa leitura

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

E se... - I

Eduardo e eu somos melhores amigos sempre, não desgrudamos um do outro, mas apesar disso ele não sabe que sou completamente apaixonada por ele, acho que sequer desconfia disso.

Ele é tão bonito com seus olhos azuis e seu cabelo preto jogado de lado sob os traços perfeitos de seu rosto que poderia escolher a garota que quisesse, mas não só pelo superficial, longe disso, eu o amaria mesmo que ele fosse feio... era tão engraçado e inteligente, um amigo pra todas horas... ele nunca me escolheria, eu não tinha nada de especial

Por isso não tinha coragem de dizer o que sentia por ele e os “E ses” me consumiam, eu deveria me declarar? E foi assim por anos, até certo dia em nosso penúltimo ano de colégio que fui declarar tais sentimentos... aquele que foi o dia mais triste de minha vida.

Pois fiquei sabendo que ele tinha uma doença terminal e poucos um tempo incerto de vida e num misturado de sentimentos loucos esqueci meus propósitos e assustada não mais cogitei dizer que o amava...

E me perguntava sempre E se eu falasse agora? E esse questionamento me atormentava a todo o tempo, a cada palavra dele, a cada segundo que eu respirava, e sempre eu resolvia não dizer nada, não sei se temia perde-lo, sendo assim demasiadamente egoísta, ou se tinha medo que isso estragasse nossos últimos momentos juntos, deixando-o triste nesse período tão difícil...

Nos meses que se passaram houveram muitas risadas e reflexões, aprendemos a aproveitar mais a vida não deixar as coisas para depois, ou pelo menos em parte tinhamos aprendido, já que eu ainda não tinha tido a coragem de me declarar, apesar de que em cada um de seus sorrisos eu pensasse em fazê-lo, em cada um de seus freqüentes risos em que ele ignorava sua condição e que lhe proporcionaram viver a vida de uma maneira que muitos não vivem em cem anos de existência, eu o admirava e amava cada vez mais...

Eu só podia ser feliz por ter proporcionado alguns desses momentos.

Quando o seu caso se agravou minha mãe decidiu que pelo meu bem eu deveria passar as férias que estavam bem próximas com sua irmã na Europa, eu não queria, porém não tinha forças para resistir... não consegui ser forte por ele...

Fui me despedir e ele estava de cama, usei minhas forças para não desabar em choro naquele momento e dizer o que tanto me corroia e era alvo de meus questionamentos diários: o quanto sempre o amei e iria amar acontecesse o que acontecesse, que vinham seguidas pelas justificativas dos porquês de não ter falado isso antes...

Ele estava quase dormindo, não respondeu com palavras, simplesmente segurou bem forte minha mão que estava próxima da sua, senti por alguns instantes uma felicidade que nunca imaginei que iria sentir em algum momento da minha vida enquanto tinha a mão dele junto a minha e via o sorriso singelo que ia sentir tanta falta...

Queria ficar ali junto com ele nos suas ultimas semanas, e agora tinha forças para lutar para permanecer, mas infelizmente elas não foram suficientes, e fomos ao aeroporto dois dias mais tarde, enquanto eu e meus pais esperávamos pelo vôo que já estava atrasado por duas horas recebi um telefonema da casa dele.... não me deixaram atender, presumi o pior já que ela não me disse o que tinha acaba de ouvir.

Esperei por cerca de dez minutos para entrar o avião, mas eles pareceram muito mais demorados do que as horas que já havia esperado, pois não queria mais ficar ali. Fugir para o mais longe possível era agora o meu maior desejo, tinha perdido minhas esperanças...

Nos dois primeiros meses que passei com minha tia, vivi uma sobrevida e ainda me perguntava: “E se? E se eu tivesse dito antes?!?!”, e só com isso na minha cabeça mal conseguia levantar da cama e aproveitar o mínimo do verão mediterrâneo, que em outras férias pude perceber o quão belo era.

No terceiro e ultimo mês de minha estadia passei a ocupar a minha mente com qualquer coisa para tentar espantar meus fantasmas, principalmente com tarefas domésticas, e com os livros da vasta biblioteca. Já que o dia de voltar se aproximava, não queria pensar em Eduardo, não queria sequer por um minuto, apesar de não conseguir, deixar a idéia de voltar e não tê-lo por perto tirar minha sanidade.

Terminado o mês, o vôo que traria de volta a dura realidade, não atrasou nem um minuto como desejava (Ah, eu odeio aviões!!!), desembarquei logo e encontrei toda minha família a espera... mal consegui cumprimenta-los, sentei na cadeira que estava ao lado deles, fiquei muda.

Minha mãe logo disse:

--Tenho ótimas noticias

E eu só pude responder:

-- Nada que você diga pode ser bom.... ele está....(Não conseguia dizer morto)

Minha mãe respondeu prontamente....

-- Como assim minha filha, Eduardo não morreu, Dr. Campos o indicou para um arriscadíssimo procedimento cirúrgico para retirar o tumor que fazia as células malignas atacarem seu corpo, as chances de sobrevivência eram mínimas, não te contei que ele estava na lista de espera para a cirurgia naquele dia no aeroporto, por que não queria de dar falsas esperanças... e você não atendia meus tefonemas em Florença para eu te avisar do sucesso da cirurgia...

Não consegui ficar brava com minha mãe por mais de 5 segundos, estava consumida por uma imensa felicidade, apesar de não o vê-lo ali. Sai correndo em seguida e peguei o primeiro táxi em direção a casa dele...

Bati porta fervorosamente, e a espera ali pareceu maior que todos os momentos em aeroportos já vividos por mim...

A porta se abriu e ali estava ele com um lírio nas mãos, tentando se jusificar por não estar em meu desembarque, mas eu não o deixei se desculpar queria abraça-lo e não soltar mais.

Mas ele continuou

--Mas eu preciso te dizer isso

E eu retrucava

-- Pare de desculpas, não quero mais ouvir besteiras...

E ele respondeu

--Não são desculpas...er... Eu... Eu te amo!!! E sempre te amei, nunca achei que você gost...

Não deixei ele continuar, trocamos um beijo caloroso, no momento mais perfeito de minha vida, no qual pude sentir aquela alegria que nunca mais imaginei que sentiria, num momento de felicidade plena, por que eu sabia que eles sentia isso também.

Reflexão:

Se isso ou aquilo mudasse...

somente esse detalhe seria diferente ou tudo seria diferente?


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