
"Quem é você?" lhe perguntaram. Ela não sabia responder. Ela não se sentia a mesma. Quando tudo mudara? Há uma fração de segundo atrás, era o que ela se lembrava. Mas o tempo pode enganar, afinal, o que ele é? Como saber se o medimos da forma correta?
Agora ela podia sentir. Ela sentia tudo a sua volta e isso lhe dava vontade de chorar, mas ao mesmo tempo de sorrir. Isso nunca acontecera antes, mas não era desconhecido... Era como se só estivesse adormecido dentro dela, mas finalmente encontrara sua hora de despertar.
Claro, tudo acontece por um motivo. Ela tinha uma teoria, mas não queria contar, era um segredo. Mas segredos não duram a vida inteira e ela teria que encarar esse, algum dia.
"Quem é você?". Ela se lembrava da pergunta, mas continuava muda, ela também queria saber quem era ele, mas não tinha coragem para perguntar. Ela viveu toda sua vida só para responder a essa pergunta e lhe perguntar o mesmo. Então por que as palavras se acumulavam em sua garganta mas não conseguiam sair?
Ela conseguia sentir, não havia sensação melhor que aquela. Ela sabia que ele não tinha pressa para a resposta, mas ela se cobrava, ela queria simplesmente saber responder.
Desde que a pergunta foi feita, eles se olhavam nos olhos. Nenhum desviou o olhar, nenhum sequer piscou. E então, houve um brilho no olhar de cada um, e ambos compreenderam. E não era preciso falar, mas ambos quiseram verbalizar, como se isso tornasse a verdade ainda maior.
- Eu sei quem você é.
E sempre souberam.
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