Esperamos que gostem do nosso blog, pois, e acho q não falo só de mim, os textos são escritos com bastante emoção
e tem muito te nós em cada frase do que vocês lerão. ;D
Boa leitura

domingo, 9 de agosto de 2009

Utopia



Enquanto andava por meus próprios versos, notei um “simplório detalhe”.
Notei primeiramente que lutava contra meus próprios pensamentos, demasiado eloqüentes para uma mente dita sã. Mas talvez essa mente não fosse assim tão sã, apenas um fenótipo de sanidade.
Percebi que cada palavra, como despropósito de todas as idéias que sempre foram guardadas, desfazia-se em versos incompletos, perdidos em idealizações.
As palavras que dizia, assim como os pensamentos, já não faziam sentido algum. E quanto menos sentido, mais razão eu encontrava para continuar.
A partir de uma poesia, provinda de um momento, instante eterno e indescritível, que por sua vez derivou de um instinto que digo uma vez mais: não surgiu do nada.
De um minuto para outro, muitas coisas mudaram. Certamente não foi assim tão repentino, mas só percebemos algumas verdades quando procuramos não enxergá-las.
Tudo era perfeito e de certa forma fazia sentido conforme a típica vida de uma típica civilização, utópica certamente.
Não poderia desejar mais nada. Até aquele momento eu fora “abençoada” nessa utopia.
Mas como a própria palavra diz, utopia é um ideal, uma fantasia, a perfeição tida como concreta. E todos sonham, sonharam ou ainda vão com a promessa da irrealizável perfeição, do conto de fadas.
Então, em segundo lugar, percebi que não queria um conto de fadas. Observei por entre as entrelinhas dessas histórias tão perfeitas, caricaturadas para iludir quanto à felicidade, que o final é demasiado vago para acreditarmos que a ficção tornar-se-ia concreta.
Rompi, então, com a dita utopia. Mas não por completo.
Voltando àquela poesia, que guardo a sete chaves, descrevi as magnificências da idealização. Até aí, percebo que sigo os caminhos da fantasia.
Os poemas tornaram-se constantes conforme meus pensamentos se alinhavam. Focava toda a minha atenção a um único objetivo: encontrar as palavras perfeitas que descrevessem tudo que sentia.
Tentei milhares de vezes, e muitas delas imaginei que talvez estivesse na direção certa. Mas agora, enquanto escrevo, percebo que se não existe perfeição, também não existem as palavras que incessantemente busco para descrever o que imagino que seja o amor, por exemplo. Mas nada do que sentimos será satisfatoriamente posto no papel ou mesmo dito em voz alta. Quanto mais forte parece ser o que sentimos, mais prosaicas se tornam as palavras. Posso descrever tudo o que sinto, mas ninguém, jamais, a não ser eu mesma, entenderia os significados daquelas palavras.
Finalmente, digo que não busco exatidão. Já fui o que não queria, mas gostaria de ter preservado um pouco do que fui; ás vezes fico nervosa porque não me entendo, mas normalmente essa confusão concebe poesias.
Mas o verdadeiro problema é quem vou me tornar. Serei eu, um dia, adepta à utopia que rege a multidão? Ou serei parte de minha própria utopia?
Em minha própria utopia, não viveria tal ficção e então viveria “feliz para sempre”. Seria, na verdade, diferente de como esperam, com quem não esperam.
Talvez eu encontre um pouco de conforto nos contos de fada, para alimentar meus sonhos e fantasias. Mas o sofrimento é eterno e as vozes nunca se calam. A razão faz questão de protestar conta minhas idealizações e de repreender meus devaneios.
Minha utopia é verdadeiramente utópica. Impossível. Mantenho-a em meus sonhos, em minhas palavras, em meus gestos, no sangue que pulsa em minhas veias, em minhas lágrimas, em meu sorriso, em meus toques, em meu completo e total pensamento, e em minhas poesias. Mas ainda assim é imperceptível, pois não entendemos a complexidade e o sentimento resguardados em palavras que não são ditas por nós mesmos.
Poderia dizer milhares de palavras, descompromissadas ou eloquentes, mas nenhumas delas iria romper com sofrimento algum. Acredito, portanto, que diferente do que me diz a razão, que talvez o silêncio expresse muito melhor nosso desígnio.
Assim tento, entre milhares de vozes, manter o silêncio frente à obsessão por minha própria e momentânea utopia; encontrar, quiçá, um final feliz. E que o final feliz não seja propriamente o fim, mas o começo da minha utópica felicidade, na qual descreveria o amor, não por palavras, mas simplesmente por estar ao lado de quem me trouxe tantas confusões e planos, demasiado sonhos e em meus pensamentos profusão e contradição tão inexata de sentimentos. O "início-fim" perfeito, com um término inexato, infindável, enfim.

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