Como a vida é estranhamente
engraçada...dela rio, faço piadas, outras vezes por ela choro e me perco no
sentido vazio da inexistência do que nem sei. Uma hora o meu coração bate como
se fosse a última esperança de alguma pontada de felicidade e depois de
minutos, segundos, já esquece porque tão forte batia; o pensamento se esconde
em algum lugar do infinito e a sua imagem escurece, umedece, se apaga no
efêmero tempo. E a voz some, e seus olhos perdem o brilho, e a minha pele já
não mais parece ser parte da sua, como por alguns minutos sonhei.
Fiz do meu silêncio
minha memória e minha história. Contei e recontei-a em cada breve momento
simplesmente para o meu entender. Sorri como sorri uma criança, naquela
inocência inafastável de um querer somente por querer. E você fugiu de mim, mas
o mais curioso é que eu deixei; em metáfora vi-me desentrelaçar nossos dedos.
Vi-me na solidão, ou talvez numa espera e em um feliz esquecimento da breve
ébria vida que vi, que vivi, que deixei passar. E do sorriso que da tua
ausência fez-se presente deixei-me roubar por uma estranha, que das palavras
escritas fez verdade em vida concreta vivida e que da minha história entendeu
que palavras não são só palavras, mas o querer, o viver, o amar, o ser feliz. E
naquela mudança de segundo ao outro segundo parece que acordei da minha memória
e deixei que a história começasse a se escrever.
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