Esperamos que gostem do nosso blog, pois, e acho q não falo só de mim, os textos são escritos com bastante emoção
e tem muito te nós em cada frase do que vocês lerão. ;D
Boa leitura

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Insídia



Dessa vez eu fora contrária aos meus próprios princípios. Jurei total fidelidade ao amor, ainda que este permanecesse em minha insigne abstração.
Procuro as razões. Pergunto-me se o que dissera foi mentira. Mas eu jamais me voltaria contra tal e sublime amor.
Apego-me, então, à questão afável. Explico essa infidelidade como subterfúgio a um amor maior do que um dia imaginei sentir.
Conheci quem me fez pensar como há tempos não pensava. Avistando aqueles olhos e aquele sorriso, subitamente apresentados aos meus versos, percebi que eu não exatamente morrera aos sonhos que antes contemplavam meus pensamentos. Por um simples momento não questionei a veracidade do que então chamava de amor. Apenas esperança. Esperança de ludibriar antigas lágrimas para que estas não mais se concretizassem.
Uma exaltação temporária e uma reverência à crenças padronizadas por verossimilhança do que simplesmente seria “ser”. Mas não importa. Toda essa momentânea alegria fora simplesmente a inconsciência regendo e certamente enganando minha razão. Como agradeço por ter sido enganada por mim mesma. Seria eterna a satisfação em saber que fui e ainda sou errada em não crer na tão sonhada felicidade.
Simplesmente não existe. Seria tão simples explicar o porquê de a felicidade ser a maior invenção do homem para persuadir a si mesmo, que não me darei o trabalho de tentar lhes convencer sobre algo demasiado óbvio. Mas alguns argumentos, digo ao certo, devem ser levados em consideração quando uno as variações mais desejadas pelo homem: o amor e a felicidade.
A felicidade seria um estado, um complemento ao sentido de ser. A busca mais incessante do homem, que acredita que se encontrasse a permeável felicidade, nada mais precisaria desejar, já que esta englobaria todo e qualquer sentimento utópico do que seria plenamente viver. Mas então encontramos a impossibilidade do que significaria “ser feliz”. Referente ao amor, senão igual, talvez ainda maior seja a busca do homem por esta síncope, que não temporariamente, mas quiçá por toda a eternidade roube a nossa consciência.
Sendo assim, aproximando-nos do amor, estaríamos próximos também da felicidade. Talvez deva explicar o porquê de o amor ser um “degrau” para a contemplação do “ser feliz”. Dizem que a alma é a possibilidade de o ser humano enxergar o concreto, de personificar o que existiria apenas em pensamentos; a alma é, portanto, aquilo que move o ser humano, o que o permite classificar o mundo em toda sua diversidade de idéias.
O amor envolve o ser humano em toda a sua consciência ou inconsciência. Ele é, então, inerente ao homem. Somos movidos por todas as vertentes do amor, por toda a sua glória e sabedoria, em contraposição a toda a sua ignorância e submissão. Então, o amor é alma e portanto indiscutivelmente vivo e real.
E se existe amor, por que não felicidade? Talvez tenha me enganado ao dizer que ao nos aproximarmos do amor, nos aproximaríamos, também, da quimera e felicidade. Na verdade, quanto maiores conhecedores nos tornamos do amor, mais evidente é a inexistência da felicidade.
Mais uma vez gostaria de me iludir quanto à veracidade de minhas palavras. Porém, a cada segundo mais irrefutável se torna minha tese.
Se descobri que amor é alma, então estou fadado a ser infeliz. Amarei eternamente e eternamente as lágrimas acompanharão o meu caminho.
Quando digo que amo, dou-o minha alma, portanto a vida àquela pessoa que adorna meus sentimentos e coração. Amar ao outro é abster-se da realidade que permeia os próprios versos, é contrariar seus mais íntimos princípios e dizer que contra tudo ficaria se essa fosse a condição daquela pessoa que se ama encontrar a felicidade.
Então a vida seria a união do concreto com toda a inverossímil abstração: a alma, portanto amor. E quando amamos outra pessoa, esse amor que contemplava é liberto, e sua própria alma, sua própria vida, não mais pertence a ti. Tudo agora pertence a quem permitiu, embora inconscientemente que você amasse.
A vida não mais me completa, não mais existo. Todo o amor que tinha foi guiado a quem amamos. E essa pessoa não foi capaz de enxergar que todo o nosso amor a ela foi entregue e subitamente ele desaparece pela imensurável realidade. Mas os resquícios e a memória do amor que nos foi presente é eterna, então a sensação de sua existência é indestrutível.
Estamos presos em morte nesta realidade visível. Temos o corpo, ainda encontro a mente. Mas a vida que estivera presente em mim torna-se uma realidade remota.
Digo que se amo, minha alma já não mais pertence a mim. Então seria hipocrisia dizer que acredito que um dia, quiçá, encontrarei essa tal felicidade.

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